[ Demonologia ] A obsessão e suas formas - Aula 07

Salve santos, amados e eleitos de Deus, Hoje daremos continuidade aos artigos baseados no curso do padre Paulo Ricardo sobre demonologia ( Acesse aqui ). Lembrando que é importante que você leia os artigos anteriores antes de começar esse. ( Acesse os outros artigos aqui ).
Curso Católico de Demonologia


Let's Begin

É sabido que o modo ordinário da ação demoníaca é a tentação. Já a primeira maneira extraordinária de ele agir é a chamada obsessão que não deve ser confundida com a possessão, posto que diferentes.
Usando uma analogia é possível dizer que uma pessoa é como uma cidade murada que está sendo atacada. A possessão se dá quando o ataque consegue adentrar à cidade. A obsessão, por sua vez, é quando o inimigo assediou a cidade, sitiando-a, tentando, sem sucesso, invadi-la. O Padre Royo Marin, em seu livro "Teologia de la perfeccion cristiana", faz a seguinte consideração:

"A simples tentação é a forma mais corrente e universal com que Satanás exerce sua ação diabólica no mundo. Ninguém está isento dela, nem os maiores santos. Em todas as etapas da vida cristã a alma experimenta seus assaltos. Variam as formas, mudam os procedimentos, aumenta ou diminui sua intensidade, mas ela permanece constante ao largo de toda a vida espiritual. Nosso Senhor Jesus Cristo quis ser tentado também, para nos ensinar a maneira de vencer o inimigo de nossas almas.Mas, às vezes, o inimigo não se contenta com a simples tentação. Tratando-se sobretudo de almas muito elevadas, passando por aquelas que se impressionam com as tentações ordinárias, desfere todo seu poder infernal, chegando, com a permissão de Deus, até à obsessão e, às vezes, possessão corporal de sua vítima. A diferença fundamental entre ambas formas consiste que na obsessão a ação diabólica é extrínseca à pessoa que padece, enquanto que na possessão o demônio está realmente no corpo de sua vítima e a maneja desde dentro, como um chofer maneja ao seu gosto o volante do automóvel."
A diferença entre tentação e obsessão consiste no fato de que a segunda é mais clara que a primeira. Por isso, comparativamente, é possível dizer que a natureza da obsessão é mais próxima da tentação que da possessão, pois, tanto uma quanto a outra objetivam levar a pessoa ao pecado, mas ela continua livre. O autor espanhol afirma que "há obsessão sempre que o demônio atormenta o homem desde fora de uma maneira tão forte, sensível e inequívoca que não deixe lugar ou dúvida sobre sua presença e ação". Isso significa que, se na tentação, nunca existe uma certeza de que é realmente o demônio que está a tentar, na obsessão ela existe. Não há margem para dúvida.

A obsessão é algo típico dos santos. A tentação demoníaca acontece para todas as pessoas. Já a obsessão, por razões que só Deus conhece, é permitida por Ele para pessoas com vida espiritual mais profunda. Veja, por exemplo, a obsessão de Santa Bernardette Soubirous, que foi a vidente de Nossa Senhora em Lourdes, França e no final de sua vida ficou obsessionada com a possibilidade de não ter correspondido plenamente à vontade de Deus. Santa Catarina de Sena, por sua vez, também no final da vida, sofria terrível obsessão, na qual o demônio se apresentava a ela, acusando-a de vaidade. Já para Santa Faustina Kowalska, a grande apóstola da Misericórdia Divina, o Demônio se fazia presente pela voz e dizia que a pregação sobre a Divina Misericórdia não valia nada e que só faria com que as pessoas se tornassem presunçosas tendo como destino o inferno, inclusive ela. Obsessões que esses grandes santos sofreram - com permissão divina -, mas que de alguma forma ajudam a mostrar o seu grande valor e mérito.

Esse tipo de ataque demoníaco pode ser dividido em duas categorias: interna e externa. Royo Marin explica que a obsessão interna "afeta as potências interiores, principalmente a imaginação". O demônio não tem acesso à alma, à vontade, à inteligência, mas tão somente àquelas faculdades periféricas da alma que estão mais em contato com o corpo, como a fantasia e a memória. Existem muitas formas de ataque: repugnância inexplicável pelas coisas divinas, imagens blasfemas, tentações sexuais totalmente disparatadas, etc. Ela se distingue da tentação, nesse caso, pelo fato de que é forte, sensível e inequívoca, ou seja, pelo grau com que o demônio ataca a pessoa.

Já a externa afeta "os sentidos externos em formas e graus variadíssimos". Nela, a pessoa pode ser atacada no sentido da visão, por aparições diabólicas, que podem ser agradáveis, mas também repugnantes. São João Maria Vianney estava tão acostumado a esse tipo de obsessão visual que nem se preocupava mais. Contudo, os santos que sofrerem esses ataques sempre mantinham dentro de si a mais completa paz, o que significa que realmente não se tratava de uma doença psiquiátrica, mas, de fato, de um ataque demoníaco. O Padre Royo Marin faz uma lista de santos da Igreja que sofreram investidas satânicas: Santa Gemma Galgani, Santo Hilarion, Santo Antonio Abade (ou Santo Antão), Santa Catarina de Sena, Santo Afonso Rodriguez, entre outros.

Outros santos sofreram ataques auditivos, como Santa Faustina Kowalska, Cura d'Ars, Santa Margarida de Cortona, etc. Já a obsessão táctil ataca o corpo de muitas maneiras, diz o Padre Royo Marin, "com golpes terríveis, como conta historicamente Santa Catarina de Sena, Santa Teresa, São Francisco Xavier, Santa Gemma Galgani e também Santo Afonso Rodriguez". Não esquecendo que todos esses ataques contam "com a permissão de Deus, para prova e proveito de seus servos, chega a ação diabólica a extremos e torpezas incríveis, sem culpa alguma por trás de quem a padece".

A origem da obsessão, em primeiro lugar, como foi dito, é a permissão divina, posto que Satanás não possui nenhum poder ordinariamente. Tal como no Livro de Jó, em que o demônio pede a permissão de Deus para testá-lo e Deus a concede. Em segundo, é o fato de que o demônio tem inveja dos filhos de Deus. E a psicologia demoníaca ensina que eles jamais verão a Deus, enquanto homem é vocacionado, chamados por Deus à sua presença. Isso é intolerável para ele. Da mesma forma, a Ave Maria é uma arma terrível contra a ação satânica pois ele não suporta saber que Maria, pequena criatura é "cheia de graça", enquanto ele, anjo de luz, está na desgraça. A inveja é manifesta e inextinguível. A terceira causa pode ser a imprudência da pessoa obsessionada. Ela pode ter provocado ou subestimado a ação satânica, o que uma pessoa humilde jamais faria.

Por fim, existe também a predisposição natural do obsessionado. É um tema delicado, que merece toda a atenção, posto que a obsessão, via de regra, acontece com pessoas em elevado grau de santidade, não se pode excluir o fato de que acontece também em pessoas no início de sua caminhada espiritual, mas que possuem uma propensão natural para alucionações.

Para explicar melhor, imagine uma pessoa dando um soco em outra. O soco desferido possui uma tal intensidade que derruba a outra, que desmaia. O tombo e o desmaio são justificados e proporcionais à força. É isso que acontece quando o demônio desfere um ataque a um santo, por exemplo. Agora, imagine, um soco relativamente fraco, desferido numa pessoa que possui uma ferida exposta. Embora o soco tenha sido leve, acertou numa região sensível e isso foi suficiente para que a pessoa caísse e desmaiasse. Esse é o resultado de um ataque satânico (talvez até mesmo uma tentação) numa pessoa predisposta, ou seja, possuidora de uma ferida.

A propósito desse tema, o Padre Royo Marin explica que a propensão natural do obsessionado "não vale para as obsessões exteriores, que nada têm a ver com o temperamento ou a compleição natural de quem a padece." Ele diz que vale tão somente para as obsessões internas, principalmente naquelas pessoas de temperamento "melancólico, propensos a escrúpulos, inquietudes e tristezas". E continua afirmando que "em todo caso, a obsessão, por mais violenta que seja, não priva jamais o sujeito de sua liberdade, que, com a graça de Deus pode sempre vencê-la e dela auferir maiores bens. "Unicamente porque é Deus que a permite."

Na próxima aula, veremos quais os remédios para combater as obsessões e qual o papel do diretor espiritual nesta batalha. Um abraço e até a próxima!

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