[ Demonologia ] A possessão diabólica e suas características - Aula 9

Salve queridos e amados de Deus. Estamos chegando ao fim dessa série de postagens. Essa é a postagem de número 9 em um total de 10. Lembrando, que se você ainda não leu os outros artigos, aconselho que os leia antes de iniciar esse.


A possessão

Dentre todas as ações do Demônio que abordamos nas ultimas aulas, a possessão diabólica é a mais "espetacular" (no sentido de espetáculo) e, consequentemente, a que mais atrai a curiosidade. Alguns chegando mesmo a manifestar uma curiosidade doentia e seriamente perigosa sobre o tema, chegando ao ponto de pesquisar vídeos e áudios de possessões demoníacas reais



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Entretanto, ao contrário do que se acha, a possessão não é o meio mais eficaz que o Demônio possui para perder as almas. A arma mais poderosa do Diabo é a tentação, visto que é através dela que o homem pode vir a cometer pecados e assim se condenar. O Demônio, mesmo sendo um ser poderoso, não é capaz de acessar a liberdade humana que é preservada e garantida por Deus.

Além do já citado, a tentação demoníaca nunca é maior que a força do homem em resistir, nem maior que a graça divina que o auxilia. Nós não estamos sozinhos nessa batalha, contamos com a ajuda dos anjos.  A Suma Teológica de São Tomás de Aquino explica que nem todo mal vem do demônio, bem como pode ser resultado da tentação da carne e do mundo; ao contrário, todo bem que chega ao homem é, de alguma forma, proveniente da assistência ministerial dos anjos, o que nos leva a concluir que a ação dos anjos bons na nossa vida é muito mais relevante que a ação dos demônios.

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Assim sendo, já podemos concluir que a possessão diabólica não é a arma mais forte do inimigo, mas ainda assim é preciso abordarmos alguns pontos sobre ela. O Padre António Royo Marín, em sua obra " Teologia de la Perfección Cristiana", cita quatro pontos a serem considerados acerca da possessão. Sendo eles:

1. A existência da possessão


Muitos negam que sejam verídicos os casos de possessão. Trata-se de uma temeridade. Existem nos Evangelhos uma tal quantidade de relatos sobre ela que seria até imprudente dizer que não exista. Não há nenhum sinal da possessão no Antigo Testamento, mas, na plenitude da Revelação, inúmeras possessões apareceram. É evidente, portanto, que não se trata de algo vindo da mentalidade judaica, mas sim, da luta de Cristo contra o demônio. E é deveras difícil entender a libertação de Cristo sem compreender a luta que ele empreendeu contra o poder das trevas. Ademais, ao longo da história da Igreja, muitos santos enfrentaram a possessão demoníaca. São inúmeros e praticamente incontáveis os relatos.

Alguns alegam não crer na ocorrência da possessão pois afirmam que os sinais que ela apresenta são facilmente explicados pela parapsicologia. Ora, se assim é, também não se devia crer na Eucaristia, pois quem se puser a examinar a hóstia consagrada num microscópio somente enxergará pão e quem tomar muito vinho consagrado pode embriagar-se. No entanto, essas coisas não excluem aquilo que nos diz a fé.

Além disso, Jesus Cristo não poderia ter errado em uma matéria tão séria, grave e importante como essa. Conforme já foi visto, pelos livros de Joaquim Jeremias, o qual procurou as mesmíssimas palavras proferidas por Jesus para encontrar o “Jesus histórico”, as referências à possessão são verdadeiras.

Vale lembrar também que, Deus não poderia permitir que as Sagradas Escrituras fossem contaminadas por erros da comunidade primitiva. A inerrância da Bíblia é sobre matéria religiosa, em que se encaixa perfeitamente a questão da possessão demoníaca.


Curso Católico de Demonologia - Possessão


2. A natureza da possessão

Nela, o Demônio age desde dentro. Trata-se, evidentemente, de uma figura de linguagem, pois ele não pode “entrar” em lugar algum, posto que não tem corpo, é puro espírito. Quando se diz que ele está em um lugar, isso significa que ele está concentrando sua ação naquele local, embora sua natureza não esteja em lugar nenhum.

As características próprias da possessão, que determinam a sua natureza, são i) a presença do demônio no corpo da vítima (a ação) e ii) o império despótico sobre ela.



É importante notar que na possessão oscilam dois períodos: um de crise e outro de calma. A pessoa possuída não está o tempo todo sob ataque, ela passa por momentos de calma. Outro ponto importante é que não é regra que seja um só demônio a tomar posse do corpo da vítima. O próprio Evangelho narra o caso de Maria Madalena, de quem foram expulsos sete demônios [3], e o famoso episódio do possesso de Gerasa [4].

3. Sinais da possessão demoníaca


O Padre Royo Marín, usando de prudência, elenca alguns sinais clássicos para identificar uma possessão (falar línguas estranhas, conhecimento de fatos desconhecidos, sansonismo etc.), porém ressalva que tais fenômenos podem ocorrer por fatores naturais. Não há nenhuma prova da possessão, a não ser a eficácia do próprio exorcismo.
Os sinais são requeridos, não para oferecer uma “prova científica”, mas para atestar a plausibilidade da possessão. Não existem sinais científicos e irrefutáveis de uma possessão pelo simples fato de que o Demônio não é capaz de produzir milagres [5]. Tudo o que ele faz pode ser encontrado na própria natureza. Deste modo, haverá sempre um espaço para a dúvida nas manifestações da pessoa investigada.

A Igreja, no entanto, nunca requereu e nem requer na atual legislação que haja uma certeza absoluta, contudo, orienta para que se tenha uma precaução redobrada para que não se caia na crendice, no hábito de crer em qualquer coisa. É preciso avaliar cada situação com prudência e virtude e somente aí se decidir ou não pelo exorcismo. A Igreja espera esse posicionamento de seus exorcistas, sabendo que a única prova satisfatória de uma possessão é o sucesso de um exorcismo.

4. As causas das possessão diabólicas 


Basicamente, existem três causas:
1.      Um pedido da própria vítima;
2.      Um pecado da vítima;
3.      A providência divina.

Em primeiro lugar, é preciso frisar que qualquer possessão acontece por permissão divina. Os demônios não podem fazer tudo o que querem, eles estão subjugados pelo poder divino.
O primeiro item diz respeito à pessoas santas que, desejando uma purificação passiva da alma, pedem a Deus o consentimento para padecerem desse mal. É claro que esta conduta deve ser muito mais admirada que imitada, pois estes são casos extraordinários de santos que receberam de Deus tal inspiração.

Nesse mesmo ponto, a segunda possibilidade é a mais comum: a própria pessoa pede ao Demônio que a possua. É o famoso “pacto com o Diabo” ou ainda a “venda” da alma, geralmente motivado por desejos mundanos de riqueza, fama e poder. Existem inúmeras pessoas que vivem comumente possuídas por Satanás e não apresentam as chamadas “crises”. Trata-se de uma realidade terrível em que a pessoa não só perdeu a salvação eterna, como entregou seu corpo e sua alma ao Demônio.

O segundo ponto é quando um pecado cometido pela pessoa pode ter como castigo a possessão. São eles: infidelidade, apostasia, blasfêmia, abuso da Santíssima Eucaristia, orgulho, excessos da luxúria, inveja, avareza, perseguição dos servos de Deus, impiedade dos filhos para com os pais, violência na cólera, desprezo de Deus, desprezo das coisas santas, imprecações e pactos pelos quais uma pessoa se entrega ao Demônio. Deus em sua providência pode permitir esse tipo de castigo numa mistura de misericórdia e justiça.

Finalmente, o terceiro ponto diz respeito à Providência Divina para a purificação de uma alma santa. Apesar de parecer estranho, todas as possessões têm um percentual da Providência de Deus, porém, no ponto em questão, a iniciativa é de Deus. Isso acontece porque Deus quer ensinar, com o exemplo do santo, a temer o Demônio, o Inferno e a não nos afastarmos de Deus. Trata-se de um mistério da fé.
Por hoje nossa reflexão fica por aqui, no proximo artigo, serão estudados os remédios para a possessão demoníaca.

Veja as próximas aulas aqui:


Abraços, até a próxima!
Referências

  1. Suma Teológica, I, q. 114, a. 3
  1. Suma Teológica, I, q. 114, a. 3, ad 3
  1. Cf. Lc 8,2
  1. Cf. Mc 5, 1-20
  1. Suma Teológica, I, q. 114, a. 4




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