O Tau franciscano, último símbolo do alfabeto hebraico em forma de cruz, foi adotado por São Francisco de Assis como seu sinal distintivo. Este símbolo sagrado, frequentemente representado com três nós em seu cordão, carrega um profundo significado espiritual que se relaciona intimamente com as virtudes teologais da fé, esperança e caridade.
O Tau na Tradição Franciscana
São Francisco de Assis tinha grande devoção ao Tau, inspirado pela visão profética de Ezequiel (Ez 9,4) e pelo Apocalipse (Ap 7,3), onde este sinal marca os escolhidos de Deus. Como escreveu São Francisco: "Com este sinal do Tau, começava todas as suas ações" (Tomás de Celano, Vida Segunda).
O Tau tornou-se não apenas um símbolo de identificação franciscana, mas também um resumo visual da espiritualidade franciscana, centrada na cruz de Cristo e na vida evangélica.
🎯 Quer entender melhor sua fé? Nosso roteiro de estudos do Catecismo torna o aprendizado simples e objetivo. Conheça agora!
Os Três Nós e as Virtudes Teologais
Os três nós presentes no cordão franciscano que frequentemente acompanha o Tau simbolizam os votos religiosos de pobreza, castidade e obediência. Contudo, numa interpretação espiritual mais profunda, estes três nós também representam as três virtudes teologais que fundamentam a vida cristã.
Primeiro Nó: A Fé
O primeiro nó representa a virtude da fé, definida pelo Catecismo da Igreja Católica como "a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que Ele nos disse e revelou, e que a Santa Igreja nos propõe a crer, porque Ele é a própria verdade" (CIC 1814).
São Francisco viveu a fé de modo radical e concreto. Como ele próprio testemunhou em seu Testamento: "O Senhor me deu tal fé nas igrejas, que eu assim simplesmente orava e dizia: Adoramos-te, Senhor Jesus Cristo, também em todas as tuas igrejas que há no mundo inteiro, e te bendizemos, porque pela tua santa cruz remiste o mundo".
São Boaventura, doutor da Igreja e ministro geral da Ordem Franciscana, escreveu sobre São Francisco: "Tinha fé tão grande e tão fervorosa em Cristo crucificado que trazia sempre manifesta em suas mãos e pés a imagem da cruz". Esta fé profunda levou Francisco a receber os estigmas, tornando-se uma imagem viva de Cristo crucificado.
📚 "Começar a estudar o Catecismo nunca foi tão fácil!" Descubra um método prático e organizado para aprofundar seus conhecimentos. Acesse o roteiro completo.
Segundo Nó: A Esperança
O segundo nó simboliza a esperança, que segundo o Catecismo "é a virtude teologal pela qual aspiramos ao Reino dos céus e à vida eterna como felicidade nossa, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças, mas no auxílio da graça do Espírito Santo" (CIC 1817).
A esperança franciscana é marcada pela confiança total na Providência Divina. São Francisco expressou esta virtude quando disse: "Não há prelado no mundo que seja tão temido por seus súditos e irmãos como o Senhor vos faria temer, se o quisésseis. Tão grande bem e graça vos faria o Senhor, que todos vos amariam como irmãos" (Espelho da Perfeição).
Santa Clara de Assis, fiel seguidora de Francisco, escreveu em sua Quarta Carta a Santa Inês de Praga: "Coloca tua mente no espelho da eternidade, coloca tua alma no esplendor da glória, coloca teu coração na figura da substância divina e transforma-te toda, pela contemplação, na imagem da divindade". Esta transformação nasce da esperança na promessa da vida eterna.
Terceiro Nó: A Caridade
O terceiro nó representa a caridade, a maior das virtudes. O Catecismo ensina que "a caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas por causa dele mesmo, e ao nosso próximo como a nós mesmos por amor de Deus" (CIC 1822).
São Francisco foi um verdadeiro mestre da caridade. Sua famosa oração expressa perfeitamente esta virtude: "Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão".
São Boaventura descreveu a caridade de Francisco: "Ardia em caridade para com Deus e para com o próximo; mas especialmente para com os pobres tinha compaixão visceral". Esta caridade se manifestava em gestos concretos, como quando beijou o leproso, vencendo sua repugnância natural por amor a Cristo.
São Francisco dizia aos seus irmãos: "Onde está a caridade e a sabedoria, aí não há temor nem ignorância" (Admoestações, 27). Esta caridade perfeita, que expulsa o temor, é o ápice da vida espiritual franciscana.
A Unidade das Virtudes Teologais
Como ensina o Catecismo, "as virtudes teologais fundamentam, animam e caracterizam o agir moral do cristão. Informam e vivificam todas as virtudes morais" (CIC 1813). Os três nós unidos no cordão simbolizam que estas virtudes não podem ser separadas: a fé sem esperança seria presunção, a esperança sem caridade seria vã, e a caridade sem fé seria mero sentimentalismo.
São Francisco integrou perfeitamente estas três virtudes em sua vida. Como escreveu Tomás de Celano: "Pela fé se conformou à Igreja, pela esperança esperava o reino, pela caridade se uniu a Cristo".
O Tau como Sinal de Salvação
O Tau marcado com os três nós torna-se, assim, um sinal visível da vida cristã plena. Ao contemplar o Tau franciscano, somos convidados a renovar nossa fé em Cristo crucificado, nossa esperança na ressurreição e nossa caridade fraterna.
São Francisco dizia: "Comecemos, irmãos, a servir ao Senhor Deus, porque até agora pouco ou nada aproveitamos". Esta humildade, unida às virtudes teologais, nos impulsiona sempre a crescer no amor de Deus.
Conclusão: Vivendo o Tau Hoje
Os três nós do Tau franciscano nos recordam que a vida cristã é um caminho de crescimento constante nas virtudes teologais. Como ensina o Catecismo: "A vida moral dos cristãos é sustentada pelos dons do Espírito Santo. Estes são disposições permanentes que tornam o homem dócil a seguir os impulsos do Espírito Santo" (CIC 1830).
Que o exemplo de São Francisco, de Santa Clara, de São Boaventura e de todos os santos franciscanos nos inspire a viver estas virtudes com alegria e autenticidade. Como dizia São Francisco em sua bênção aos irmãos: "O Senhor te abençoe e te guarde. Mostre a ti sua face e tenha misericórdia de ti. Volte para ti seu rosto e te dê a paz".
Ao trazermos conosco o Tau com seus três nós, levamos não apenas um símbolo religioso, mas um compromisso de vida: viver na fé que move montanhas, na esperança que não decepciona, e na caridade que jamais acabará (1Cor 13,8).
Referências
- Catecismo da Igreja Católica, especialmente os parágrafos 1812-1829 sobre as virtudes teologais
- São Francisco de Assis: Testamento, Admoestações, Cartas
- Tomás de Celano: Vida Primeira e Vida Segunda de São Francisco
- São Boaventura: Legenda Maior
- Santa Clara de Assis: Cartas a Santa Inês de Praga
- Espelho da Perfeição (Speculum Perfectionis)

Comentários
Postar um comentário